Author Archives: mda

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Agricultores realizam intercâmbio para conhecer variedades e diferentes usos de bambus

Um grupo de agricultores envolvidos na produção orgânica de alimentos em Aratiba e Erechim, além de integrantes da secretaria da agricultura de Aratiba/RS realizaram uma visita na unidade de produção de Jovania e Gilson Giombelli, no interior do município de Seara/SC. O casal é vinculado à Rede Ecovida de Agroecologia, com produção orgânica e também integra um grupo de agricultores que trabalham com bambus, pesquisando variedades e usos para a planta.

A família dispõe em sua propriedade de diferentes variedades de bambus e o intercâmbio abordou suas características específicas e adaptabilidade para diferentes regiões. Os participantes também puderam conferir diferentes finalidades e utilidades do bambu, tanto como barreira vegetal e quebra-vento, como seu uso na alimentação, construção, artesanato, móveis e instrumentos musicais. A atividade, realizada no dia 29 de fevereiro de 2020, também abordou as formas de tratamentos a serem feitos no bambu e as melhores épocas de colheita – entre maio e agosto, durante a lua minguante – para conseguir uma maior vida útil.

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Intercâmbio de agricultores sobre cultivo de morango orgânico

A equipe técnica do Cetap organizou um intercâmbio entre agricultores das regiões Planalto e Altos da Serra com o objetivo de conhecer diferentes formas de produção e esclarecer dúvidas em relação ao cultivo agroecológico de morangos.

A demanda partiu de agricultores dos municípios de Marau e Água Santa, sendo que depois também se somaram agricultores de Sananduva. O grupo visitou propriedades em Ipê e Antônio Prado, na região da serra gaúcha, no dia 6 de fevereiro de 2020.

Na propriedade do agricultor Marcos Luciano Mosquer, em Ipê/RS, onde toda a produção é orgânica e certificada, foi possível conhecer o cultivo de morango em calhas, que possibilita o preparo do substrato na propriedade, facilitando o cultivo orgânico. No mesmo local os agricultores também puderam observar e conversar sobre os cultivos de tomate, rabanete e amora preta. Já na propriedade da família de Davi Botesini, em Antônio Prado/RS, o grupo conheceu o cultivo de morango em canteiros suspensos, além da produção de uva orgânica. Durante o dia os agricultores ainda puderam conhecer o Centro Ecológico e a Econativa, cooperativa que tem importante contribuição na comercialização destes produtos.


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Seminário sobre abelhas sem ferrão incentiva a ampliação de meliponários em Aratiba

No dia 25 de janeiro aconteceu o 1º Seminário Microrregional sobre Abelhas sem Ferrão de Aratiba/RS. A atividade iniciou na praça central com a inauguração do Meliponário Municipal. Essa iniciativa busca promover a divulgação das espécies de abelha sem ferrão nativas do Rio Grande do Sul, constituindo-se como um espaço didático e de informação aberto para toda a comunidade, em especial, para as crianças e estudantes do município. Inicialmente o meliponário conta com sete espécies de abelhas nativas sem ferrão.

Em seguida, os participantes foram para a comunidade de Encruzilhada da Várzea, onde participaram de uma palestra com a doutoranda da PUC/RS, Jenifer Dias Ramos, que falou sobre o declínio da população de abelhas e o uso de agrotóxicos. “Este é um projeto de extrema importância para o município de Aratiba. É uma alternativa sustentável para quem deseja investir neste segmento do mel, acreditamos ser mais uma fonte de renda para os nossos agricultores, além de estar ajudando a preservar essas espécies de abelhas sem ferrão”, destacou o prefeito de Aratiba Guilherme Eugênio Granzotto.

A criação de abelhas sem ferrão acontece há vários anos na região, sendo que o projeto de incentivo à produção de alimentos agroecológicos, desenvolvido em Aratiba, tem potencializado e difundido essa cultura. “Temos uma parceria entre as organizações do município e a Prefeitura Municipal para fortalecer esse trabalho. Temos consciência que não há como discutir a sobrevivência da agricultura familiar e orgânica sem pensar em tudo o que faz parte deste universo, como as abelhas, por exemplo”, explicou o coordenador Técnico do CETAP, Edson Klein.

Após a palestra, aconteceu uma visita na propriedade de Alysson Fiorini. Ele conta que resolveu criar abelhas sem ferrão incentivado pelas visitas técnicas do CETAP, que capacitou os agricultores para a atividade. “Achei interessante e hoje já estou com 15 espécies de abelhas sem ferrão. Nos próximos anos, pretendo ampliar o número de enxames”, destacou Fiorini. Na propriedade, além de conhecer o manejo das abelhas, aconteceram oficinas sobre a elaboração de iscas e captura, identificação e divisão de enxames com a realeira, assessoradas pela equipe técnica do CETAP. Uma degustação de vários tipos de mel das meliponíneas, como são denominadas cientificamente as abelhas sem ferrão, marcou o encerramento do Seminário.


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* Com informações e fotos da Prefeitura Municipal de Aratiba/RS


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Atividades nas feiras ecológicas de Passo Fundo abordam a luta pela autonomia e liberdade das mulheres

A campanha “Tod_s pela Equidade de Gênero” foi tema de ações em duas feiras ecológicas que acontecem na cidade de Passo Fundo/RS, uma localizada na Praça Irmã Maria Catarina, que existe há mais 20 anos e conta com a circulação de mais de 1.000 consumidores a cada edição e outra localizada na Praça Capitão Jovino, na Vila Rodrigues, que funciona há mais de um ano, tendo cerca de 100 consumidores a cada sábado.

A campanha promovida pelo Cetap, em parceria com a Rede Terra do Futuro – Framtidsjorden, aborda a temática da violência contra as mulheres e também a necessidade de defendermos a equidade de gênero. Quando usamos o termo igualdade, partimos do princípio que devemos tratar todos iguais. Mas é importante entender que não somos todos iguais, precisamos ampliar nossa compreensão sobre a pluralidade e a diversidade. O conceito de igualdade tende a uma padronização, homogeneização, o que não atende as necessidades do nosso momento histórico, por isso é importante debater e entender o significado de diversidade, equidade, valorização e equiparação. Ao destacarmos que somos tod_s pela equidade de gênero, estamos falando de justiça, de oportunidades iguais, independentemente do gênero.

Foram realizadas intervenções em quatro momentos, nos quais foram distribuídos adesivos, folhetos e expostos banners da campanha. Vale ressaltar que a receptividade dos feirantes e consumidores foi muito positiva, com vários relatos que mostram ser imprescindível que essas temáticas sejam pautadas e debatidas nos ambientes em que a agroecologia está sendo exercida.

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Tod_s pela equidade de gênero

Nosso corpo, nossa vida, nossa luta!

De acordo com a divisão sexual do trabalho, aos homens é destinada a esfera produtiva, na qual os trabalhos realizados são valorizados e remunerados (ou geradores de renda) e, às mulheres, é destinada a esfera reprodutiva, em que o trabalho realizado não gera renda e, portanto, não é valorizado. Dois princípios organizam esta forma de divisão social do trabalho: o princípio da separação, que afirma que existem trabalhos de homens e trabalhos de mulheres; e o princípio de hierarquização, a partir do qual o trabalho do homem “vale” mais do que o trabalho de mulher.

Em nossa sociedade, muitas vezes as esferas produtiva e reprodutiva se organizam em espaços diferentes, sendo a esfera reprodutiva o espaço da casa e a esfera produtiva o espaço fora de casa, na qual se realiza o trabalho remunerado (fábrica, escritório, comércio, banco, etc.). Mesmo na agricultura familiar, onde é mais difícil separar o que se produz para vender no mercado ou para o consumo da família, há uma separação entre a roça e o quintal ou entre a casa e o roçado.

Modelo patriarcal de família

No meio rural, o modelo patriarcal de família é bastante marcado e se organiza dentro de uma hierarquia de gênero e geração centrada no poder dos homens sobre as mulheres, filhos e filhas. Na agricultura familiar encontramos frequentemente situações que denotam a prevalência uma visão homogênea da unidade familiar, baseada na ideia de que o homem representa o interesse de todos os seus membros, como se todos tivessem os mesmos interesses. Essa forma de ver o mundo contribui para a desvalorização do papel econômico do trabalho das mulheres na família. Ou seja, é um modelo definido a partir do poder do homem e pela divisão do trabalho.

Quem controla sozinho o dinheiro não costuma consultar, nem escutar todos os membros da família quando vai tomar uma decisão. Quem não tem seu próprio dinheiro tende a obedecer, a se submeter. Ao contrário, quem tem o seu próprio dinheiro pode ser independente, pode definir os rumos da própria vida, alcançar sua autonomia e colocar suas decisões em prática.

Precisamos reconhecer e valorizar todas as formas de trabalho

Para que todas as mulheres tenham autonomia econômica é preciso construir uma sociedade na qual o trabalho – em todas suas formas – seja reconhecido e valorizado. No sistema capitalista, essa é uma luta permanente, que começa dentro da própria família e da comunidade, com a reorganização do trabalho doméstico e de cuidados, para que a responsabilidade por este trabalho seja compartilhada entre homens e mulheres.

Então, promover a autonomia econômica das mulheres, implica em um primeiro momento, compreender como a sobrecarga com a responsabilidade do trabalho doméstico e de cuidados resulta em desigualdade entre mulheres e homens, para que as alternativas postas em prática apontem para a superação da divisão sexual do trabalho.

Muitas feiras agroecológicas são organizadas por grupos de agricultoras, algumas em conjunto com coletivos de consumidores com base em princípios da economia solidária. As agricultoras envolvidas nestes processos atribuem valor e reconhecimento aos produtos que produzem, trazendo para a cidade uma maior variedade de alimentos e encontrando mercado para produtos que elas nem imaginavam que tivessem preço, como nas plantas conhecidas como PANC (plantas alimentícias não convencionais). A valorização dos produtos expressa a valorização de seu trabalho e, por fim, delas mesmas.

A agroecologia e a autonomia econômica das mulheres

Então, para as mulheres do campo, da floresta e das águas a garantia do direito à terra é bandeira de luta central, que cumpre uma dupla missão: primeiro a de romper com as desigualdades da concentração de terra no nosso país, para a produção de alimentos saudáveis; segundo a de superar o machismo e o racismo que desvalorizam e desconsideram o papel exercido pelas mulheres no trabalho produtivo e reprodutivo.

A agroecologia faz parte da vida das mulheres há muito tempo, mesmo antes de usarem esse nome. Elas sempre produziram alimentos saudáveis, sem venenos e adubos químicos, com insumos produzidos na propriedade, utilizando sementes crioulas, com muita diversidade, fazendo troca de alimentos e mudas com as vizinhas, buscando melhoria da qualidade de vida de todas(os).

Acreditamos que a agroecologia pode ser um caminho para envolver toda a sociedade em uma nova forma de pensar sobre o alimento, como resposta à busca por uma vida mais saudável e mais justa, fortalecendo feiras e redes de comercialização que permitam o acesso a alimento livre de veneno e promovam a autonomia econômica das mulheres.


Fonte: Cadernos de debates: desenvolvimento sustentável na perspectiva das mulheres do campo, da floresta e das águas. Publicação da Secretaria de Mulheres Trabalhadoras Rurais Agricultoras Familiares (Contag)


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Alunos visitam meliponicultor para conhecer características e importância das abelhas sem ferrão

A Escola Municipal de Educação Infantil Pingo de Gente, de Aratiba/RS, realizou um trabalho especial no dia 28 de novembro, envolvendo as crianças que estudam nos turnos matutino e vespertino. Os alunos realizaram uma visita na Comunidade Encruzilhada da Várzea, na unidade do agricultor Jacob Agazzi, que trabalha com abelhas nativas sem ferrão, onde puderam conhecer melhor o manejo e as características dessas abelhas.

A atividade faz parte do trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Cetap na região, que tem como tema “Sem abelhas, sem alimentos”, que busca apresentar a importância das abelhas para a produção de alimentos, especialmente nessa região, grande produtora de frutas orgânicas. Além da equipe técnica do Cetap, o agricultor Paulo Lunkes ajudou na condução das atividades que aconteceram com dois grupos, um de manhã e outro de tarde, totalizando mais de 100 crianças.

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Campanha pela Equidade de Gênero na Feira Ecológica de Sananduva

A Feira Ecológica de Sananduva/RS pautou em suas últimas edições, aos sábados, a luta pela autonomia e liberdade das mulheres, com a campanha “Tod_s pela Equidade de Gênero”. A campanha promovida pelo Cetap, em parceria com a Rede Terra do Futuro – Framtidsjorden, aborda a temática da violência contra as mulheres e também a necessidade de defendermos a equidade de gênero, provocando para o diálogo sobre diversidade, valorização e equiparação de oportunidades.

A Feira Ecológica de Sananduva existe há mais de 20 anos, abastecendo a cidade com alimentos de qualidade, frescos e locais. A cada edição, mais de 150 pessoas circulam por suas bancas. Nos dias da campanha, os feirantes utilizaram e distribuíram adesivos abordando o tema e também expuseram um banner, convidando os consumidores a conversar sobre o assunto.

Lutar pela autonomia e liberdade das mulheres significa defender que as decisões sobre os rumos de suas vidas sejam tomadas por elas próprias, considerando as expectativas sociais, mas, ao mesmo tempo, decidindo por sua própria avaliação, o que é melhor fazer a cada situação que a vida apresenta.

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Ampliando a produção ecológica na região Alto Uruguai

No dia 27 de novembro foi formalizado mais um grupo de produção orgânica, composto por nove famílias, em Aratiba/RS. Inicialmente aconteceu uma reunião onde foram abordados o processo de produção e os passos para a certificação dos alimentos orgânicos, através da Rede Ecovida de Agroecologia.

Em seguida, os participantes realizaram uma visita na propriedade de um dos integrantes do grupo onde a equipe técnica do CETAP ajudou a realizar uma análise sobre os arranjos e benefícios do trabalho no Sistema Agroflorestal (SAF). Esta visita a campo também possibilitou identificar os elementos fundamentais que serão vistoriados na agrofloresta para certificação orgânica.

As famílias agricultoras entram agora no período de transição para certificação de produtos como banana, abacate, mamão, erva mate, fruta do conde, melancia, moranga, entre outros. Durante os próximos 18 meses serão utilizadas técnicas agroecológicas para produção de alimentos saudáveis, livre de agrotóxicos, conforme determina a legislação. Após esse período, cada família recebe a vistoria para certificação, atestando a produção orgânica pela Associação Ecovida de Agroecologia. Este grupo passa a integrar o Núcleo Alto Uruguai de Agroecologia. Aratiba possui um potencial enorme na produção de frutas tropicais devido as condições climáticas, que são um diferencial na produção da região. Além disso, o projeto orgânicos “bom para quem produz, melhor para quem consome”, parceria entre prefeitura municipal, CETAP e grupo de trabalho dos Orgânicos de Aratiba/RS, tem levado mais conhecimento e proporcionado novas oportunidades de geração de renda às famílias participantes. Cada vez mais este processo vem avançando no município e região, mostrando a viabilidade e importância da produção de alimentos saudáveis, tanto para quem produz, como para quem consome.

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Violência contra as mulheres é tema de ação junto a consumidores da Feira Pé na Terra de Sananduva

A Feira Pé na Terra e a Utopia Gastronomia Artesanal, buscando chamar a atenção da comunidade local para o tema da Violência contra as Mulheres, integrou-se na campanha promovida pelo Cetap e pela Rede Terra do Futuro – Framtidsjorden nos meses de novembro e dezembro.

As ações foram realizadas em sintonia com os “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. Essa campanha anual e internacional começa no dia 25 de novembro, Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres e vai até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. Em apoio a esta iniciativa da sociedade civil, a campanha do Secretário-Geral da ONU “UNA-SE pelo fim da violência contra as mulheres” pede ações globais para aumentar a conscientização, estimular os esforços de defesa e compartilhar conhecimentos e inovações.

A Feira Pé na Terra acontece há mais de um ano, nas quintas-feiras, junto ao espaço da Utopia Gastronomia Artesanal, no centro de Sananduva/RS. A cada edição da feira ecológica circulam, em média, 40 pessoas. Nesse espaço, além da distribuição de materiais como panfletos e adesivos, também foi divulgada a campanha “Tod_s pela Equidade de Gênero”, que nos convida a ampliar nossa compreensão sobre a pluralidade e a diversidade, aprofundando conceitos como equidade, valorização e equiparação de oportunidades.

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Eu digo não para a violência contra as mulheres! E você?

Não é preciso que uma mulher seja agredida fisicamente, para estar vivendo violência. Muitas vezes, a violência acontece por meio de palavras, que afetam comportamentos e autoestima, gerando problemas emocionais e psicológicos.

É sempre bom lembrar que quando uma mulher é assassinada ou sofre espancamento, é uma violência física que não começou ali, mas, com certeza, já passou por uma violência psicológica, que é aquela violência da humilhação, do xingamento, de dizer que a mulher é burra, que é incapaz de sobreviver sozinha ou criar as(os) filhas(os).

A violência sempre mobiliza muitas memórias, emoções e sentimentos dolorosos entre as mulheres e, por isso, não pode permanecer silenciada e impune. É preciso meter a colher! A violência sexista é qualquer conduta, ação ou omissão que discrimine, agrida, maltrate ou obrigue as mulheres a fazerem algo (ou deixarem de fazer) pelo simples fato de serem mulheres.

Luta coletiva

Pensamos o corpo como primeiro território, portanto, defender cada um dos corpos das mulheres é mais que uma luta de sobrevivência pessoal, é uma luta coletiva. Queremos todas livres, autônomas e vivas. Nossos corpos são cheios de vida, memória e sensibilidade, mas também são condicionados pelas dores e explorações que se expressam em nossos lares e em nossas comunidades.

A Lei Maria da Penha é resultado das lutas dos movimentos feministas e de mulheres. Esta lei tem o objetivo de punir com mais rigor os agressores responsáveis pelos atos de violência contra as mulheres, no âmbito doméstico e familiar. A lei reconhece, pelo menos, cinco tipos de violência que podem e devem ser denunciadas, para que se adotem medidas de proteção das vítimas e punição dos agressores, são elas:

Violência física: ação que ofende, prejudica o corpo ou a saúde da mulher (tapas, socos, empurrões, beliscões, puxão de orelha e de cabelo, arranhões…);

Violência psicológica: aquela que causa dano emocional, diminuição da autoestima e prejudica o desenvolvimento pessoal (ameaças, constrangimentos, perseguições, insultos, chantagem, ridicularização…);

Violência sexual: qualquer conduta do agressor que obrigue a mulher a assistir, manter ou participar de relação sexual que ela não deseja;

Violência patrimonial: atitude que reter, retirar ou destruir partes ou todos os objetos das mulheres, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, direitos ou dinheiro;

Violência moral: quando o agressor atinge a honra e a imagem da mulher, com calúnia, difamação ou injúria.

Quando a sociedade caracteriza as mulheres como frágeis, meigas, choronas, está limitando melhores oportunidades e impondo desigualdades. As estatísticas confirmam essa posição desigual. Do ponto de vista econômico, as mulheres são mais pobres que os homens e, considerando as dimensões étnicas e raciais, as mulheres negras, não só recebem menos que os homens, como também menos que as mulheres brancas, tendo ainda menos acesso à propriedade da terra.

Autonomia e liberdade

Lutar pela autonomia e liberdade das mulheres significa defendermos que as decisões sobre os rumos de suas vidas sejam tomadas por elas próprias, considerando as expectativas sociais mas, ao mesmo tempo, decidindo por sua própria avaliação, o que é melhor fazer a cada situação que a vida apresenta.

Estudar ou não; formar-se nisso ou naquilo; manter-se agricultora; ter participação política no sindicato e nos movimentos; querer e lutar pela titularidade da terra; produzir de forma agroecológica… se para os homens estas podem ser simples escolhas de vida, para as mulheres, cada opinião declarada, cada decisão, representa um marco na luta por autonomia e liberdade, afinal, ao longo da história, essas decisões sobre os rumos de suas próprias vidas foram constantemente negadas. A ideia do patriarcado é que os homens sejam considerados a referência e os donos do poder sobre as mulheres e a família, e em toda a sociedade.

Para o feminismo, autonomia e liberdade são sempre duas ideias que andam juntas. Para uma mulher agir com autonomia, ela precisa ser livre para pensar por si mesma e pensar em si. Ela precisa estar liberta das imposições da sociedade, que determinam o que deve fazer e como se comportar.

Fonte: Cadernos de debates: desenvolvimento sustentável na perspectiva das mulheres do campo, da floresta e das águas – Publicação da Secretaria de Mulheres Trabalhadoras Rurais Agricultoras Familiares (Contag)


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