4º Encontro sobre ANSF do Alto Uruguai debateu manejo, comercialização e regulamentação de meliprodutos
Concluindo as atividades do VII Seminário de Agroecologia do Alto Uruguai, foi realizado no sábado, dia 13 de junho, o 4º Encontro sobre Abelhas Nativas Sem Ferrão do Alto Uruguai. O evento reuniu mais de 70 participantes, entre meliponicultores, agricultores, integrantes de equipes de assessoria técnica, professores e estudantes das instituições que fazem parte do Núcleo de Agroecologia – NAAU.
Na abertura do encontro, Edson Klein, da equipe técnica do Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP), valorizou a presença de meliponicultores que estão envolvidos em diferentes projetos e propostas de valorização e ampliação de populações de Abelhas Nativas Sem Ferrão (ANSF). O CETAP incorporou há vários anos essa temática entre suas ações de destaque, mobilizando recursos para atividades formativas e também na distribuição de colônias de abelhas, sendo este momento importante para avançarmos, também, na perspectiva de geração de renda para as famílias que aderiram a esta proposta de resgate, valorização e ampliação da população de abelhas nativas sem ferrão na região.
O primeiro painel abordou o tema “Abelhas Nativas Sem Ferrão – produção, colheita, legalização e comercialização de meliprodutos”. O primeiro painelista foi Emanuel Hollenbach, apicultor e meliponicultor, proprietário da agroindústria Viva Flor, de São João da Urtiga/RS, que atua na produção, processamento e comercialização de mel. Emanuel apresentou informações sobre boas práticas na produção e processamento, detalhou normas vigentes, o andamento dos processos de regularização junto a órgãos municipais e os desafios técnicos para a normatização dos meliprodutos.
Na sequência, Nadilson Roberto Ferreira, integrante da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (SEAPI/RS) e consultor da Câmara Setorial das Abelhas no Rio Grande do Sul, tratou do manejo, de normas técnicas e da certificação de produtos. Durante a atividade, os participantes relataram entraves e alternativas para a legalização do processamento e da venda. Entre os tópicos debatidos, destacou-se a diferenciação do mel de abelhas nativas em relação ao de apiários convencionais, cujo volume de produção é superior, sendo a análise laboratorial de lotes de produtos um dos aspectos relevantes apontados. Nadilson também apresentou diretrizes técnicas e orientações para os processos de vistoria nos municípios.
Ao meio-dia, foi servido um almoço especial, preparado pelo grupo Flor de Pitanga, de Itatiba do Sul (RS). O cardápio teve como base alimentos agroecológicos de famílias agricultoras locais, incluindo pratos, molhos e sucos elaborados com frutas nativas, como jabuticaba, butiá e pinhão, além de opções vegetarianas e veganas.
No período da tarde, as atividades continuaram com o painel “Manejo, colheita, armazenamento, maturação e comercialização de meles”, conduzido por Fábio Callegari, do Meliponário Minotto e Calegari, de Verê (PR). Fábio compartilhou sua história e experiência com o manejo de ANSF, contando como foi sua evolução de duas caixas de abelhas para o grande volume de colônias de diferentes espécies que possui hoje em seu meliponário. Com dicas sobre alimentação suplementar ao longo do ano, manejo e colheita do mel, também falou sobre o armazenamento e processos de maturação, ressaltando que hoje toda renda da família está vinculada ao meliponário e à marcenaria que produz caixas de abelhas.
Rogério Dallo, da coordenação da Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas do RS (CPSFN), apresentou o funcionamento desta cadeia, falando sobre os modelos produtivos, sua função importante na conservação ambiental, mas também das perspectivas de geração de renda. Entre os produtos que estão sendo incorporados nas dinâmicas de comercialização da rede estão os meliprodutos, abrindo novas possibilidades para as famílias que estão investindo na criação de abelhas nativas sem ferrão.
Finalizando o encontro, a bióloga Laísa Prestes expôs dados de seu trabalho de pesquisa focado no estudo de biomarcadores e metais em abelhas mandaçaia. O trabalho foi realizado em parceria com diversas famílias presentes no encontro, que disponibilizaram amostras para a pesquisa. Avançando neste sentido, foi apresentado um projeto de extensão do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS), que envolve estudantes do curso Técnico em Química para a análise de amostras de mel de meliponicultores da região. Esta será uma ação importante para a sequência do trabalho de normatização e legalização junto às prefeituras e comercialização de meliprodutos.
