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Projeto traça panorama da comercialização de alimentos agroecológicos na América Latina

A comercialização de alimentos agroecológicos se dá principalmente através da venda direta, sem atravessadores entre quem produz e quem consome.

Essa foi uma das constatações do levantamento realizado com 113 famílias agricultoras do Brasil, Paraguai, Equador, El Salvador e México através do projeto piloto Agroecologia na América Latina: construindo caminhos, que tem como objetivo demonstrar, através de indicadores, o que a Agroecologia representa em termos ambientais, sociais e econômicos. Desenvolvida por oito organizações dos cinco países, esta iniciativa envolve agricultores/as familiares que encontram-se em diferentes níveis de transição agroecológica. Além de responder a questionários qualitativos, estas famílias vêm registrando informações sobre cultivos, colheitas e gestão de suas propriedades na plataforma digital LiteFarm.

Técnica de campo do Cepagro conversando com dois agricultores na lavoura

A relação produção-consumo é um dos aspectos que se busca compreender melhor a partir destes indicadores agroecológicos. Com base nas informações colhidas nos dois primeiros anos de projeto, identificou-se que o principal canal para comercialização de alimentos agroecológicos são as feiras, sendo utilizado por 64 das 113 famílias acompanhadas, seguido da entrega de cestas agroecológicas, adotado por 41 famílias.

Segurança para quem produz, saúde para quem consome

Consideradas inovações sociais nos mercados de proximidade, as iniciativas de cestas agroecológicas trazem alguns benefícios em relação às feiras, por haver uma diminuição dos riscos de perdas e do tempo disponibilizado para a venda. Um modelo de comercialização das cestas é a Célula de Consumidores Responsáveis (CCR), tecnologia social desenvolvida no Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar da Universidade Federal de Santa Catarina (LACAF/UFSC) e adotada especialmente por famílias de Santa Catarina.

As CCR se estabelecem a partir da articulação entre grupos de agricultores e grupos de consumidores em uma relação direta e se caracterizam pela comercialização de cestas “fechadas” de alimentos orgânicos/agroecológicos de acordo com a sazonalidade. Os pedidos e pagamentos são realizados de forma antecipada, o que permite aos agricultores a garantia da venda, pois “só se colhe o que está vendido”. A entrega é realizada geralmente em pontos fixos comuns aos consumidores – como universidades, escolas, locais de trabalho, etc.

É assim que cinco famílias de Major Gercino-SC, ligadas ao Núcleo Litoral Catarinense da Rede Ecovida, comercializam juntas sua produção. O grupo abastece atualmente cerca de 85 famílias consumidoras de Florianópolis, organizadas em 4 células de consumo. As cestas são compostas por folhosas, algum tempero, legumes, tubérculos e frutas, variando com a diversidade de alimentos da época. Além disso, toda semana são disponibilizados alguns produtos extras através de uma lista enviada aos consumidores pelo whatsapp, principal canal de comunicação.

João Augusto Batisti, jovem agricultor responsável pela logística de montagem e entrega das cestas junto com o pai, conta que as CCR são uma garantia de remuneração mais justa. “As cestas ajudam muito a gente. Eu acredito que se não fossem as cestas, a nossa venda seria bem menor. Ou até poderia ter venda, mas o preço seria mais baixo para todos os produtores do grupo. Ela é uma vantagem para todo mundo aqui”, conta. Ainda assim, o grupo cogita começar a fazer uma feira em 2023. Isso porque desde o início da pandemia houve uma queda no volume de cestas vendidas semanalmente, especialmente na célula situada na universidade federal, onde a partir da suspensão das aulas o volume de consumidores caiu pela metade e não aumentou mesmo com o retorno das aulas. O aumento das vendas representaria uma redução do custo da logística de entrega, especialmente com combustível.

A célula abastecida pelo grupo de Major Gercino é uma dentre outras 13 células que operam em Santa Catarina. São mais de 45 famílias agricultoras envolvidas na tecnologia social, todas certificadas pela rede Ecovida de Agroecologia. Juntas distribuem semanalmente 530 cestas, totalizando cerca de 17 toneladas de alimentos, que são produzidos a uma distância média aproximada de 150 km de Florianópolis, onde são entregues.

No Paraguai, cestas representam mercado seguro para famílias agricultoras

Já no Paraguai, a articulação entre produtores orgânicos e consumidores é feita pela Associação Paraguai Orgánico (APRO), uma das 8 organizações que compõem o Comitê Gestor do projeto piloto. A APRO nasceu com o propósito de buscar canais de comercialização favoráveis ​​para seus associados, que atualmente somam 250 famílias. Para ajudar nesse processo, desenvolveram a plataforma EcoAgro. É por ali, mas também através do WhatsApp e e-mail que os/as consumidores/as encomendam as cestas semanalmente.

Diferentemente do modelo das CCR, na dinâmica proposta pela APRO os consumidores escolhem a composição de suas cestas a partir de uma lista de produtos disponibilizada a elas. Na lista estão desde produtos in natura, como frutas, hortaliças, folhosas e temperos, até produtos com algum nível de processamento, como farinhas, azeites, sucos, mas também produtos cosméticos, como sabonetes. Feita a encomenda, a APRO se encarrega de recolher os produtos junto aos produtores e entregá-los de porta em porta aos consumidores.

O Coordenador da APRO, Genaro Ferreira, explica que “os benefícios que os produtores recebem com isso são a de um mercado seguro, preços justos e logística grátis”. Genaro comenta ainda que o volume de cestas comercializadas praticamente duplicou desde o começo da pandemia, sendo comercializadas atualmente em torno de 120 cestas por semana.

Vale destacar que este levantamento começou a ser realizado poucos meses após o arrefecimento da pandemia e que, quando perguntadas, a maioria das famílias entrevistadas (66,3%) disseram que a pandemia mudou a importância dos mercados locais. Para 85% delas, os mercados locais ganharam importância e apenas 15% os avaliaram como menos importantes.

Alimentos agroecológicos como moeda de troca

Outra forma de comercialização direta são as trocas, realizadas por 25% das famílias que participaram do levantamento. Baseadas nos princípios da economia solidária, e tendo a produção familiar como principal moeda de troca, esta forma de comercialização é adotada especialmente por agricultoras/es do Equador, sendo praticada por 13 das 16 famílias entrevistadas no país. Quem realizou o levantamento no Equador foi o Movimiento de Economía Social y Solidária del Ecuador (MESSE).

Rosa Murillo, que além de dinamizadora do MESSE é agricultora agroecologista, conta que os trueques são uma tradição ancestral que se realiza entre comunidades, organizações e famílias. “É uma prática de reciprocidade onde o valor do dinheiro não existe. O produto perde seu valor monetário porque o que se prioriza é a necessidade. Por exemplo, troco um coelho por queijo, mandioca, fruta ou peixe. Monetariamente podemos dizer que o coelho custa mais caro, mas não é assim, na troca a necessidade da pessoa ou família é o que predomina e essa é a chave”.

Este tipo de escambo acontece tanto nas próprias fincas familiares, entre vizinhos e amigos, quanto em feiras, que podem ser semanais ou especiais. Estas últimas acontecem com menos regularidade e mobilizam pessoas de diferentes regiões que se organizam coletivamente para vir da serra para a costa e vice-versa. Segundo Rosa, as feiras especiais de troca mobilizam em média 300 famílias. Em geral, cada uma delas troca um volume aproximado de 40kg de alimentos frescos e processados.

Rosa conta ainda que apesar de representar uma cultura ancestral, os trueques têm sido invisibilizados. Um dos propósitos do MESSE é difundi-lo a fim de promover a diversificação da dieta alimentar das famílias. Além disso, “é uma atividade que fomenta as relações entre comunidades e diferentes povos, como indígenas, afrodescendentes e montuvios, e é uma forma de resistir a todo o capitalismo que se faz cada vez mais presente”.

Apesar de ser mais difundida no Equador, agricultores/as do Paraguai, México, El Salvador, Santa Catarina e Bahia também são adeptos desta prática.

Atravessadores são minoria na comercialização de alimentos agroecológicos

Outros canais de comercialização identificados no levantamento foram os restaurantes, que figuram como clientes de apenas 8% das famílias entrevistadas e os supermercados, que representam uma parcela ainda menor, com menos de 6% das famílias comercializando para este tipo de empreendimento. Enquanto atravessadoras, as lojas especializadas são uma opção de venda para 15% das famílias participantes do projeto. Veja outros canais de comercialização no gráfico abaixo:

Considerando que 87 famílias agricultoras, ou seja 77% das entrevistadas, lidam diretamente com consumidores, buscou-se compreender também como eles/as avaliam esta relação, pedindo para que apontassem o principal benefício percebido. A confiança foi a resposta de 51 famílias, conforme o gráfico abaixo:

A resposta de um agricultor salvadorenho ilustra essa percepção, ao dizer que o contato direto “ajuda muito porque o consumidor sabe como os cultivos estão sendo manejados e sabe o que está consumindo”. Também nota-se que a comunicação direta com quem consome tem potencial de influenciar nas decisões de manejo e produção. Um dos agricultores orgânicos do Paraguai responde que quando há uma proximidade com os consumidores “há maior pressão sobre o produtor e também exige que sejam produtos de boa qualidade. Eles são direcionados para o que produzir de acordo com os pedidos”. Relato semelhante ao de um agricultor de Santa Catarina ligado à Rede Ecovida de Agroecologia: “Influencia a tomada de decisão do que vamos semear. Plantamos coisas que têm maior aceitação”.

Para além dos indicadores relacionados às comercialização, o projeto desenvolve outros nove indicadores divididos em três eixos – econômico, social e ambiental – que foram identificados em um processo participativo com o Comitê Gestor do projeto, formado pelo Cepagro, CETAP e Movimento Mecenas da Vida (Brasil), APRO (Paraguai), MESSE (Equador), Fundesyram (El Salvador), Centro Campesino para el Desarrollo Sustentable A. C. e Rede Tijtoca Nemiliztli (México). A definição dos indicadores também usou como base os planos de manejo de Sistemas Participativos de Garantia (SPG) existentes nos países membros, bem como a viabilidade de coleta de dados junto aos/às agricultores/as participantes e no interesse das organizações em temas particulares.

O projeto Agroecologia na América Latina: construindo caminhos conta com o apoio da Fundação Interamericana (IAF) e é desenvolvido em parceria com a Dra. Hannah Wittman, professora e pesquisadora do Centro para Sistemas Alimentares Sustentáveis da University of British Columbia (UBC), do Canadá.

* Fonte: Cepagro


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Nocivo ao meio ambiente, à saúde e às relações internacionais, o “Pacote do Veneno” tem parecer favorável pelo Senado

Ao apagar das luzes de 2022, e às vésperas de sua saída do poder pelo anseio popular, o governo de extrema direita brasileiro selou a sua trajetória de uma escalada sem precedentes de permissividade com a comercialização e o uso de agrotóxicos. No dia 19/12, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal aprovou um relatório favorável ao Projeto de Lei (PL) 1459/2022, conhecido como “Pacote do Veneno”. A aprovação ocorreu paralela a um pedido de urgência pelos senadores para votação da pauta no plenário.

Como resultado deste contexto, o projeto foi encaminhado ao Congresso e poderá tornar-se lei a partir do próximo ano. Caso isso ocorra, o uso indiscriminado de agrotóxicos potencialmente perigosos, muitos deles inclusive já banidos por países que mantém relações comerciais com o Brasil, principalmente na União Europeia, ganha um considerável reforço que se soma à liberação de 1.900 novos produtos desta natureza em apenas 4 anos de governo – o que representa 25% de todos os registros nacionais de agrotóxicos em 20 anos.

Para compreender o grau de ameaça à saúde e ao meio ambiente protagonizado por este Projeto de Lei, uma de suas principais atribuições é dar exclusividade ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento na aprovação de novos agrotóxicos, tornando apenas consultivas as manifestações do Ministério do Meio Ambiente e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Além disso, abre espaço para o registro de ingredientes ativos que comprovadamente causam danos graves à saúde (má formação, câncer e mutações), oculta a nocividade dessas substâncias alterando o termo “agrotóxico” para “pesticida” e confere registro temporário aos venenos agrícolas que não forem analisados no prazo estabelecido pela Lei.

A possível aprovação do PL resultará em consequências não somente desastrosas para as esferas ambientais e de saúde pública, estendendo-se também ao campo das relações internacionais. Uma carta assinada por 21 parlamentares alemães foi enviada aos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD), e da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária, senador Acir Gurgacz (PDT), com manifestação contrária à aprovação do PL 1459/2022. Em suas considerações, os alemães reiteram a importância das relações comerciais entre os 2 países, abaladas pelo receio de adquirirem alimentos produzidos em solo brasileiro e contaminados com agrotóxicos proibidos na Europa.

Embora resulte em preocupações relevantes pelo poder público europeu, a questão por sua vez revela o oportunismo das corporações do velho continente. De acordo com Yannick Jadot, deputado europeu e candidato à presidência na França, o projeto beneficia as maiores empresas, como a BASF e a Bayer Monsanto, que poderão exportar pesticidas proibidos na União Europeia com mais facilidade. A ideia é corroborada por Kenzo Jucá, especialista em Direito Ambiental e assessor legislativo do Instituto Socioambiental (ISA), que afirma que a indústria do veneno vê no Brasil uma oportunidade para comercializar os produtos que não conseguem mais vender em outras partes do mundo.

De acordo com Marquito – Marcos José de Abreu (PSOL), deputado estadual eleito por Santa Catarina e coordenador adjunto do Fórum Catarinense de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos (FCCIAT), a falta de isonomia entre as legislações nacionais que avaliam os riscos dos agrotóxicos à saúde pública é uma das responsáveis por transformar o Brasil em uma espécie de “lixeira química” do mundo. “É inaceitável do ponto de vista científico que as análises sejam diferentes, já que os riscos recaem sobre os mesmos seres”, reflete o deputado. Segundo ele, é necessário enfrentar o problema com uma legislação moderna, que incorpore os insumos de base ecológica, proíba os agrotóxicos já banidos por outros países e use critérios globais para avaliação de riscos. 

O papel das organizações civis

As organizações Cepagro, Vianei, CETAP e ASPTA, por meio do projeto Consumidores e Agricultores em Rede (apoiado por Misereor), promovem ações de incidência política de enfrentamento aos agrotóxicos em suas quatro regiões de atuação nos três estados do Sul do Brasil. A participação do Cepagro no FCCIAT permite pautar a Agroecologia como meio de transformação social no campo e na cidade, democratizando a produção e o consumo de alimentos livres de venenos. Este Fórum é um espaço permanente, plural, aberto e diversificado de debate para a formulação de propostas, discussão e fiscalização de políticas públicas, com questões relacionadas aos impactos negativos dos agrotóxicos na saúde do trabalhador, do consumidor, da população e do ambiente.

A missão é estratégica por contribuir permanentemente na discussão e construção de políticas públicas, não somente na área temática do combate aos impactos dos agrotóxicos, como na promoção da Agroecologia reforçando Segurança Alimentar e Nutricional. Essa atuação teve impacto junto às seguintes pautas:

Medida Provisória 226/2019,que dispõe sobre a tributação de agrotóxicos de acordo com sua classificação toxicológica.

– Apoio/fortalecimento da Lei Nº 18.200, de 13 de setembro de 2021 que Institui a Política Estadual de Agroecologia e Produção Orgânica (PEAPO) e a garantia de orçamento incluindo-a na Lei das Diretrizes Orçamentarias de SC.

– Apoio/fortalecimento da Lei nº 15.595, de 14 de outubro de 2011, que dispõe sobre o Sistema Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional, que consiste na realização do direito de todas as pessoas terem acesso digno, regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.


* Por Fernando Angeoletto, jornalista do projeto Consumidores e Agricultores em Rede, e Gisa Garcia, diretora-presidenta do Cepagro

Foto: kiankhoon/DepositPhotos | Agência Câmara de Notícias

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Fontes consultadas:

https://umsoplaneta.globo.com/sociedade/noticia/2022/12/20/pacote-do-veneno-e-aprovado-por-comissao-do-senado-e-segue-para-votacao-no-plenario.ghtml

https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2022/02/10/pacote-do-veneno-e-criticado-na-ue-e-dificulta-acordo-com-brasil.htm

https://noticias.uol.com.br/colunas/jamil-chade/2022/12/08/parlamentares-alemaes-pressionam-contra-pacote-do-veneno-no-brasil.htm

https://www.dw.com/pt-br/alemanha-quer-proibir-exporta%C3%A7%C3%A3o-de-pesticidas-banidos-na-ue/a-63083381

https://www.dw.com/pt-br/agrot%C3%B3xicos-banidos-na-ue-e-eua-encontram-terreno-f%C3%A9rtil-no-brasil/a-61004105

https://www.greenpeace.org/brasil/blog/pacote-do-veneno-pode-ser-votado-a-qualquer-momento

https://oeco.org.br/noticias/mais-agrotoxicos-pode-ser-o-presente-de-natal-do-senado-aos-brasileiros/


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Seminário destaca importância da preservação das abelhas nativas

No dia 6 de dezembro de 2022 aconteceu um Seminário Técnico sobre Abelhas Nativas Sem Ferrão, na Escola Estadual Professora Fernandina Rigoti, em Itatiba do Sul/RS. O evento contou com a participação de 53 pessoas da região Alto Uruguai, entre agricultores familiares, estudantes e técnicos que prestam assessoria à produção agroecológica.

Muitos enxames de abelhas nativas estão morrendo em seus habitats naturais, seja pela destruição das florestas, pela retirada incorreta do mel e também pela captura do enxame sem o conhecimento técnico necessário, que acaba pondo em risco toda a colmeia. Nossa biodiversidade estará em risco se as abelhas forem desaparecendo, por isso, pensando em reverter esse quadro, apostamos na formação das pessoas para conhecer mais sobre as abelhas nativas. Um dos objetivos deste seminário foi demonstrar os benefícios que as abelhas trazem para a humanidade.

Foi destacado que é preciso investir num modelo de agricultura que contribua para termos um agroecossistema mais equilibrado. Neste sentido, as abelhas têm um papel muito importante, pois polinizam as flores, que geram sementes e frutos, que alimentam todas as outras espécies. As abelhas nativas sem ferrão ou melíponas são responsáveis por até 90% da polinização de algumas espécies nativas do Rio Grande do Sul. No entanto, o desmatamento desordenado e a perda de habitat natural reduziram significativamente as populações das abelhas nativas.

O trabalho com abelhas nativas sem ferrão pode ser realizado tanto no meio rural, como em espaços urbanos, já que não oferecem nenhum risco para as pessoas. Ao final do seminário, foram disponibilizadas quatro colmeias de abelhas nativas para a escola que sediou o evento. Estas caixas de abelhas servirão para estudo e estarão integradas às atividades docentes relacionados à sustentabilidade e à produção de alimentos agroecológicos.

Ações como esta realizada em Itatiba do Sul consiste em ampliar e difundir o conhecimento técnico, além de divulgar a importância das abelhas na natureza, capacitando pessoas para o manejo de enxames, desde a captura até a multiplicação. Os Seminários Técnicos sobre Agroecologia são uma promoção da COOPERTEC e CETAP, com o apoio da Cresol e, nesta edição, contou também com a parceria da Prefeitura Municipal e do Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura.


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Valorizando a biodiversidade e gerando restauração ecológica dos potreiros

Os potreiros são Sistemas Agrícolas Tradicionais (SAT’s) que, historicamente, constituem as paisagens das propriedades rurais familiares na região Sul do Brasil. Associados ao entorno das casas, aos quintais, às áreas de lavoura, de pequenos roçados e às áreas de mata nativa, os potreiros trazem, na sua essência, os princípios dos Sistemas Agrosilvipastoris, ao associar espécies forrageiras, arbóreas e o elemento animal, sejam suínos, ovinos, bovinos ou mesmo galinhas.

A valorização da biodiversidade encontrada nos potreiros é capaz de contribuir para questões importantes enquanto resposta a problemas e desafios fundamentalmente atuais. As mudanças climáticas, o risco à segurança alimentar, hídrica e energética, o esvaziamento das propriedades rurais e o aumento da concentração fundiária, todos esses elementos de difícil solução podem encontrar, nos capões de mato e nos campos, pistas de novos caminhos e novas possibilidades.

O CETAP vem trabalhando na direção do fortalecimento destes sistemas produtivos através da aplicação de manejos que venham a potencializar os aspectos ecológicos, econômicos e culturais. Conheça um pouco mais desta proposta através do vídeo que lançamos sobre este tema:

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Realização: Centro de Tecnologias Alternativas Populares – CETAP
Imagens e roteiro: Tiago Zilles Fedrizzi
Apoio: Equipe Técnica do CETAP – Alvir Longhi, Andressa Ramos Teixeira e Thais Hopp
Imagens aéreas gentilmente cedidas pelo Coletivo Catarse, originalmente produzidas para o filme “Cooperações Agrobiodiversas em Prática”
Trilha sonora gentilmente cedidas pelo Coletivo Catarse:
– Ilex 2, 3 e 4 – Marcelo Cougo e Rafael Silva
– Carijoso – Gaita Livre
Projeto “Ampliação das estratégias e ações de conservação e uso da água e da sociobiodiversidade em propriedades de famílias agricultoras das regiões norte e nordeste do Rio Grande do Sul”.
Apoio: SEMA/RS e RGE


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Núcleo Planalto da Rede Ecovida realiza plenária em São Domingos do Sul

No dia 8 de dezembro de 2022 aconteceu a segunda plenária anual do Núcleo Planalto da Rede Ecovida de Agroecologia, na Comunidade de São Valentim, em São Domingos do Sul/RS. Participaram 45 pessoas, entre integrantes dos grupos de agricultores e técnicos do CETAP. A proposta foi desenvolver uma atividade mais técnica sobre um assunto que está sendo demandado pelos agricultores, que é Insumos Biológicos na Produção Orgânica.

Os participantes foram recepcionados no salão da comunidade, onde foi feita uma apresentação pelos agricultores Ronaldo Ferro e Jonas Ferro sobre insumos biológicos, pois eles já estão produzindo e aplicando na sua produção. Foi debatido sobre o que são os biológicos, quais os benefícios e potencialidades para os cultivos, além de apontar alguns dos mais utilizados.

Num segundo momento, os participantes puderam conhecer o local da produção On Farm na propriedade da família e entender como é feito o preparo. Na sequência, visitaram alguns cultivares em estufa, que são tratados com esses insumos e, ao final, foi feito um lanche compartilhado, enquanto seguiu o debate sobre o assunto.

A coordenação do Núcleo Planalto da Rede Ecovida e a equipe técnica do CETAP se colocaram à disposição para aprofundar informações sobre este tema, de forma que mais agricultores possam acessar esses insumos e utilizar na produção de alimentos.


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Escola de Agroecologia e Gênero da Rede Terra do Futuro

Um grupo de 23 pessoas, representantes de organizações que integram a Rede Terra do Futuro (Framtidsjorden) na América Latina, participaram de uma vivencia prática da Escola de Agroecologia e Gênero, entre os dias 13 e 20 de outubro de 2022, em Ayacucho, no Peru. Lucivani Marquetto participou em nome do CETAP.

A atividade iniciou com uma apresentação de cada organização, destacando o trabalho desenvolvido em seu país e as áreas de maior atuação. Depois aconteceram visitas a quatro famílias agricultoras, para melhor conhecer a realidade e a forma como trabalham e desenvolvem a agroecologia. Foram analisados os principais desafios e pontos fortes em cada um dos locais visitados.

Após esta rica troca de experiências, os participantes tiveram um espaço para retomar os temas que foram tratados anteriormente nos encontros virtuais do grupo. O objetivo foi ampliar o debate e relacionar com o trabalho que é realizado nas diferentes organizações dos países Latino Americanos, apontando desafios e possibilidades sobre a temática da agroecologia e gênero.

O curso da Escola de Agroecologia e Gênero, organizado pela Rede Terra do Futuro, teve encontros online durante seis semanas, onde foram discutidos temas como agroecologia, novas formas de economia, ecofeminismo, entre outros. Estiveram envolvidos representantes de organizações do Brasil, Colômbia, Equador, Guatemala, Paraguai, Peru e Uruguai, além de integrantes da Framtidsjorden da Suécia.


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Jovens bolsistas participam de treinamento sobre a ferramenta LiteFarm

Aconteceu no dia 20 de outubro uma reunião para apresentação da ferramenta LiteFarm aos jovens bolsistas que irão contribuir no cadastramento dos dados das propriedades das famílias agroecologistas que estão envolvidas no projeto “Agroecologia na América Latina: construindo caminhos” e que residem na região Alto Uruguai do Rio Grande do Sul.

A atividade foi realizada no escritório do CETAP em Erechim/RS e serviu para o treinamento dos bolsistas, ajudando a esclarecer dúvidas sobre os lançamentos. Foi apresentado o funcionamento da ferramenta LiteFarm, como faz a delimitação da área, o lançamento dos planos de manejos, das culturas, das tarefas, bem como os lançamentos dos dados financeiros e econômicos. Também foi discutido sobre como a ferramenta pode auxiliar no planejamento e controle da unidade de produção, facilitando, assim, uma melhor gestão da propriedade. Neste sentido, foram explorados alguns dos resultados que a ferramenta poderá apresentar em forma de relatórios e gráficos.

Ficou encaminhado que os jovens bolsistas farão o desenho das áreas de cada um e irão treinando os lançamentos e anotando suas dúvidas, para que logo seja organizado um segundo treinamento, diretamente com a equipe de suporte do LiteFarm no Brasil.

LITEFARM
O projeto conta atualmente com a participação de famílias agricultoras espalhadas por cinco países latino-americanos: Brasil, Paraguai, México, Equador e El Salvador. É uma iniciativa desenvolvida através de cooperação internacional entre a Fundação Interamericana (IAF), a Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), o Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro – Brasil) e sete organizações que promovem a Agroecologia na América Latina: Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP – Rio Grande do Sul), Movimento Mecenas da Vida (Bahia), Centro Campesino e Rede Tijtoca Nemiliztli (México), Fundesyram (El Salvador), Movimiento de Economía Social y Solidaria del Ecuador (Messe – Equador), Asociación de Productores Orgánicos (APRO – Paraguay).


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Vídeos abordam alimentação proteica e energética para Abelhas Nativas Sem Ferrão

O meliponicultor precisa ficar atento à disponibilidade de alimento para as abelhas, principalmente quando tem enxames novos ou quando realiza divisões de enxame. Nestes casos e também no período de inverno ou quando a florada diminui na sua região, é necessário oferecer uma alimentação suplementar para manter os enxames fortes.

Esta alimentação suplementar pode ser energética ou proteica. O CETAP produziu dois vídeos abordando a alimentação das abelhas nativas e também como fazer estruturas para os ninhos com cera mista. O primeiro vídeo mostra como fazer o Bombom de Pólen, uma ótima opção de alimentação proteica para as Abelhas Nativas Sem Ferrão.

Alimentação Proteica para ASF – bombom de pólen

No segundo vídeo, explicamos como é feito o xarope para a alimentação suplementar, uma ótima fonte de energia para os momentos que diminuem as floradas ou no inverno.

Os vídeos também ensinam como fazer copinhos para alimentação com bombom de pólen e estruturas de cera mista (70% de apis e 30% de abelha nativa) para servir de invólucros e ser utilizados principalmente nas divisões de enxames, facilitando para as abelhas o trabalho de estruturação dos novos ninhos.

Xarope para alimentação energética de ASF e estruturas para ninhos com cera mista

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Realização: Centro de Tecnologias Alternativas Populares – CETAP
Imagens e roteiro: Marcelo Araujo
Apoio: Equipe Técnica do CETAP – Rudian Martini e Emelson Bonamigo dos Santos
Projeto “Ampliação das estratégias e ações de conservação e uso da água e da sociobiodiversidade em propriedades de famílias agricultoras das regiões norte e nordeste do Rio Grande do Sul”.
Apoio: SEMA/RS e RGE


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Intercâmbio entre as organizações brasileiras do projeto Agroecologia na América Latina: construindo caminhos

Um intercâmbio reuniu representantes das organizações do Brasil que participam do projeto “Agroecologia na América Latina: construindo caminhos”. Foi nos dias 4, 5 e 6 de outubro de 2022, em Florianópolis/SC. Estiveram representadas as organizações CETAP (Centro de Tecnologias Alternativas Populares), do Rio Grande do Sul, Cepagro (Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo), de Santa Catarina e MMV (Movimento Mecenas da Vida), da Bahia.

Este encontro teve por objetivo realizar um momento de troca de experiências entre as equipes técnicas das organizações sobre o andamento do projeto. Também serviu para oportunizar reflexões sobre as percepções dos envolvidos em cada região do Brasil e planejar as ações a serem executadas no próximo período.

“Tivemos a oportunidade de conhecer a experiência da família do Serginho e Eliane, acompanhada pelo Cepagro e que faz parte deste projeto de fortalecimento da agroecologia na América Latina. Eles trabalham com uma produção diversificada, seguindo os princípios da agroecologia em arranjos agroflorestais, também atuando na comercialização direta com consumidores, a partir de uma Célula de Consumo Responsável (CCR). Além da produção de alimentos, a família também faz extração de óleos essenciais e hidrolatos. O LiteFarm pode contribuir para facilitar e otimizar a gestão de todas estas atividades”, destaca Giovani Gonçalves, da Coordenação Técnica do CETAP.

Foram dias de discussão sobre o projeto, resultando em avaliações e percepções das organizações sobre todo processo realizado até agora. A troca de experiências também foi importante por evidenciar diferentes metodologias de atuação. A partir das avaliações e percepções levantadas, foi realizado um planejamento dos próximos passos do projeto no Brasil

LITEFARM
O projeto conta atualmente com a participação de famílias agricultoras espalhadas por cinco países latino-americanos: Brasil, Paraguai, México, Equador e El Salvador. É uma iniciativa desenvolvida através de cooperação internacional entre a Fundação Interamericana (IAF), a Universidade da Colúmbia Britânica (UBC), o Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo (Cepagro – Brasil) e sete organizações que promovem a Agroecologia na América Latina: Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP – Rio Grande do Sul), Movimento Mecenas da Vida (Bahia), Centro Campesino e Rede Tijtoca Nemiliztli (México), Fundesyram (El Salvador), Movimiento de Economía Social y Solidaria del Ecuador (Messe – Equador), Asociación de Productores Orgánicos (APRO – Paraguay).


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10º Encontro Estadual da Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas do RS

Nos dias 7 e 8 de dezembro aconteceu o 10º Encontro Estadual da Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas do RS (CPSFN), em Passo Fundo/RS. Estiveram reunidas aproximadamente 50 pessoas, representando grupos de agricultores e agricultoras, extrativistas, organizações de assessoria técnica e empreendimentos de processamento e comercialização de produtos da biodiversidade nativa do Rio Grande do Sul.

Neste ano o encontro teve como destaque a capacitação técnica sobre materiais genéticos para cultivo nos sistemas agroflorestais e áreas de restauração. O objetivo foi partilhar e ampliar os conhecimentos dos atores da cadeia produtiva solidária e seus parceiros, sobre o trabalho com sementes, mudas e propágulos de espécies nativas do Rio Grande do Sul.

Leandro Del Ri, engenheiro florestal da SEMA/RS, atua como pesquisador do Banco de Sementes do Jardim Botânico de Porto Alegre/RS

Com a assessoria de Leandro Del Ri, engenheiro florestal da SEMA (Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura do RS), que atua como pesquisador do Banco de Sementes do Jardim Botânico de Porto Alegre, foram apresentados diferentes aspectos e características das espécies nativas, abordando cuidados que precisam ser observados na coleta de frutos e sementes e orientações para seu armazenamento, buscando manter seu potencial de germinação. Na sequência, o foco foram as espécies prioritárias que serão trabalhadas pela CPSFN no próximo ano, abordando técnicas de plantio das sementes, mudas e propágulos e trocando experiências sobre o manejo destas espécies.

O segundo dia foi para fortalecer o processo organizativo da Cadeia Produtiva Solidária das Frutas Nativas. Além da abertura de espaço para indicação de novos membros para a cadeia, foi feita a recomposição da Coordenação Estadual, responsável por conduzir os trabalhos até o próximo Encontro Estadual. Um momento importante foi a composição e aprovação do Grupo de Trabalho sobre Comercialização, que será responsável por realizar estudos, debater e propor ações nesta área, visando o fortalecimento e ampliação da CPSFN. Além da participação da equipe técnica do CETAP na coordenação deste evento, o encontro teve apoio do projeto desenvolvido pelo CETAP em parceria com a Neoenergia.


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