{"id":1134,"date":"2019-11-25T14:44:51","date_gmt":"2019-11-25T17:44:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cetap.org.br\/site\/?p=1134"},"modified":"2019-11-25T14:52:12","modified_gmt":"2019-11-25T17:52:12","slug":"eu-digo-nao-para-a-violencia-contra-as-mulheres-e-voce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/eu-digo-nao-para-a-violencia-contra-as-mulheres-e-voce\/","title":{"rendered":"Eu digo n\u00e3o para a viol\u00eancia contra as mulheres! E voc\u00ea?"},"content":{"rendered":"\n<p>N\u00e3o \u00e9 preciso que uma mulher seja agredida fisicamente, para\nestar vivendo viol\u00eancia. Muitas vezes, a viol\u00eancia acontece por meio de\npalavras, que afetam comportamentos e autoestima, gerando problemas emocionais\ne psicol\u00f3gicos.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 sempre bom lembrar que quando uma mulher \u00e9 assassinada ou\nsofre espancamento, \u00e9 uma viol\u00eancia f\u00edsica que n\u00e3o come\u00e7ou ali, mas, com\ncerteza, j\u00e1 passou por uma viol\u00eancia psicol\u00f3gica, que \u00e9 aquela viol\u00eancia da\nhumilha\u00e7\u00e3o, do xingamento, de dizer que a mulher \u00e9 burra, que \u00e9 incapaz de\nsobreviver sozinha ou criar as(os) filhas(os).<\/p>\n\n\n\n<p>A viol\u00eancia sempre mobiliza muitas mem\u00f3rias, emo\u00e7\u00f5es e\nsentimentos dolorosos entre as mulheres e, por isso, n\u00e3o pode permanecer\nsilenciada e impune. \u00c9 preciso meter a colher! A viol\u00eancia sexista \u00e9 qualquer\nconduta, a\u00e7\u00e3o ou omiss\u00e3o que discrimine, agrida, maltrate ou obrigue as\nmulheres a fazerem algo (ou deixarem de fazer) pelo simples fato de serem\nmulheres.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Luta coletiva<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pensamos o corpo como primeiro territ\u00f3rio, portanto,\ndefender cada um dos corpos das mulheres \u00e9 mais que uma luta de sobreviv\u00eancia\npessoal, \u00e9 uma luta coletiva. Queremos todas livres, aut\u00f4nomas e vivas. Nossos\ncorpos s\u00e3o cheios de vida, mem\u00f3ria e sensibilidade, mas tamb\u00e9m s\u00e3o\ncondicionados pelas dores e explora\u00e7\u00f5es que se expressam em nossos lares e em\nnossas comunidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A Lei Maria da Penha \u00e9 resultado das lutas dos movimentos\nfeministas e de mulheres. Esta lei tem o objetivo de punir com mais rigor os\nagressores respons\u00e1veis pelos atos de viol\u00eancia contra as mulheres, no \u00e2mbito\ndom\u00e9stico e familiar. A lei reconhece, pelo menos, cinco tipos de viol\u00eancia que\npodem e devem ser denunciadas, para que se adotem medidas de prote\u00e7\u00e3o das\nv\u00edtimas e puni\u00e7\u00e3o dos agressores, s\u00e3o elas:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; <strong>Viol\u00eancia f\u00edsica<\/strong>:\na\u00e7\u00e3o que ofende, prejudica o corpo ou a sa\u00fade da mulher (tapas, socos,\nempurr\u00f5es, belisc\u00f5es, pux\u00e3o de orelha e de cabelo, arranh\u00f5es&#8230;);<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; <strong>Viol\u00eancia\npsicol\u00f3gica<\/strong>: aquela que causa dano emocional, diminui\u00e7\u00e3o da autoestima e\nprejudica o desenvolvimento pessoal (amea\u00e7as, constrangimentos, persegui\u00e7\u00f5es,\ninsultos, chantagem, ridiculariza\u00e7\u00e3o&#8230;);<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; <strong>Viol\u00eancia sexual<\/strong>:\nqualquer conduta do agressor que obrigue a mulher a assistir, manter ou\nparticipar de rela\u00e7\u00e3o sexual que ela n\u00e3o deseja;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; <strong>Viol\u00eancia\npatrimonial<\/strong>: atitude que reter, retirar ou destruir partes ou todos os\nobjetos das mulheres, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens,\ndireitos ou dinheiro;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; <strong>Viol\u00eancia moral<\/strong>:\nquando o agressor atinge a honra e a imagem da mulher, com cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o\nou inj\u00faria.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a sociedade caracteriza as mulheres como fr\u00e1geis,\nmeigas, choronas, est\u00e1 limitando melhores oportunidades e impondo\ndesigualdades. As estat\u00edsticas confirmam essa posi\u00e7\u00e3o desigual. Do ponto de vista\necon\u00f4mico, as mulheres s\u00e3o mais pobres que os homens e, considerando as\ndimens\u00f5es \u00e9tnicas e raciais, as mulheres negras, n\u00e3o s\u00f3 recebem menos que os\nhomens, como tamb\u00e9m menos que as mulheres brancas, tendo ainda menos acesso \u00e0\npropriedade da terra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Autonomia e liberdade<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Lutar pela autonomia e liberdade das mulheres significa\ndefendermos que as decis\u00f5es sobre os rumos de suas vidas sejam tomadas por elas\npr\u00f3prias, considerando as expectativas sociais mas, ao mesmo tempo, decidindo\npor sua pr\u00f3pria avalia\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 melhor fazer a cada situa\u00e7\u00e3o que a vida apresenta.<\/p>\n\n\n\n<p>Estudar ou n\u00e3o; formar-se nisso ou naquilo; manter-se\nagricultora; ter participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica no sindicato e nos movimentos; querer e\nlutar pela titularidade da terra; produzir de forma agroecol\u00f3gica&#8230; se para os\nhomens estas podem ser simples escolhas de vida, para as mulheres, cada opini\u00e3o\ndeclarada, cada decis\u00e3o, representa um marco na luta por autonomia e liberdade,\nafinal, ao longo da hist\u00f3ria, essas decis\u00f5es sobre os rumos de suas pr\u00f3prias\nvidas foram constantemente negadas. A ideia do patriarcado \u00e9 que os homens\nsejam considerados a refer\u00eancia e os donos do poder sobre as mulheres e a\nfam\u00edlia, e em toda a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o feminismo, autonomia e liberdade s\u00e3o sempre duas ideias que andam juntas. Para uma mulher agir com autonomia, ela precisa ser livre para pensar por si mesma e pensar em si. Ela precisa estar liberta das imposi\u00e7\u00f5es da sociedade, que determinam o que deve fazer e como se comportar.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;<\/p>\n\n\n\n<p><em style=\"font-family: Segoe, 'Segoe UI', 'DejaVu Sans', 'Trebuchet MS', Verdana, sans-serif; font-style: italic; font-size: 1em; color: rgba(69,57,57,1);\">Fonte: Cadernos de debates: desenvolvimento  sustent\u00e1vel na perspectiva das mulheres do campo, da floresta e das \u00e1guas &#8211; Publica\u00e7\u00e3o  da Secretaria de Mulheres Trabalhadoras Rurais Agricultoras Familiares (Contag)<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pensamos o corpo como primeiro territ\u00f3rio, portanto, defender cada um dos corpos das mulheres \u00e9 mais que uma luta de sobreviv\u00eancia pessoal, \u00e9 uma luta coletiva&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1135,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-1134","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1134","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1134"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1134\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1138,"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1134\/revisions\/1138"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1135"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1134"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1134"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cetap.org.br\/site\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1134"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}